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Professora tem imagem usada em vídeos pornôs criados por IA

Publicado em 05/08/2026 17:21
Professora tem imagem usada em vídeos pornôs criados por IA

Uma professora de 47 anos viveu um pesadelo ao descobrir que sua imagem havia sido usada para criar vídeos pornôs falsos com inteligência artificial (IA). O caso, registrado em Feira de Santana (BA), é investigado pela Polícia Civil e chama atenção para o crescimento dos chamados deepfakes sexuais, uma forma de violência digital que tem atingido principalmente mulheres. 

A vítima só soube da existência dos vídeos depois de ser alertada por estudantes, que encontraram o conteúdo em uma plataforma de pornografia. A princípio, ela acreditou que se tratava de um engano. Porém, ao acessar o site, confirmou que seu rosto havia sido manipulado digitalmente para simular cenas de conteúdo sexual.

Segundo a professora, o momento da descoberta foi marcado por desespero.

“Na hora que eu vi, eu engasguei, faltou ar, faltou chão.”

Os vídeos já acumulavam cerca de 27 mil visualizações quando foram encontrados. Em um deles, a professora aparece usando a camisa da escola onde trabalha. Em outro, seu rosto foi inserido em uma montagem que simulava uma cena de sexo oral.

Caso é investigado pela Polícia Civil

Após reunir provas, como capturas de tela e os links das publicações, a professora registrou um boletim de ocorrência. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), já que a suspeita é de que os responsáveis sejam adolescentes de 15 e 17 anos, possivelmente alunos ou ex-alunos da vítima.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação está em fase avançada e os policiais já conseguiram identificar o computador utilizado para produzir o material. A identificação do equipamento pode ajudar na responsabilização dos envolvidos.

O que são os deepfakes sexuais?

Os chamados deepfakes sexuais são vídeos ou imagens produzidos com inteligência artificial a partir de fotografias reais. A tecnologia permite substituir rostos, reproduzir expressões e criar cenas falsas com aparência bastante realista.

Na prática, uma única fotografia publicada nas redes sociais pode ser suficiente para alimentar ferramentas capazes de gerar conteúdos íntimos falsos, sem qualquer autorização da pessoa retratada.

Além da exposição pública, esse tipo de crime pode provocar impactos emocionais, prejuízos à reputação e consequências na vida profissional e familiar das vítimas.

Casos aumentam e preocupam autoridades

O episódio registrado em Feira de Santana não é isolado. Segundo informações da Polícia Civil da Bahia, somente neste ano cerca de 50 vítimas procuraram as autoridades para denunciar deepfakes sexuais no município, número superior ao registrado em anos anteriores.

As ocorrências têm sido registradas principalmente entre adolescentes e no ambiente escolar. Ainda conforme a polícia, as mulheres representam a grande maioria das vítimas desse tipo de violência virtual.

Como agir ao encontrar um conteúdo falso

Diante de situações semelhantes, a orientação é preservar todas as provas antes de solicitar a remoção do conteúdo. Capturas de tela, links das publicações e outras evidências podem ser fundamentais para a investigação.

Em seguida, a vítima deve registrar um boletim de ocorrência, que pode ser feito em uma Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), na Delegacia para o Adolescente Infrator, quando houver suspeita de menores de idade, ou por meio da Delegacia Virtual.

 

Por Aqui

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